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Pautas | BARUCO COMUNICAÇÃO | 20/03/2017 17:46:49 | 238 Acessos
Dia Roxo: é preciso falar sobre a epilepsia

A epilepsia tem elevada prevalência, atingindo até 1,5% da população mundial. Estima-se que o percentual de epilepsias refratárias no Brasil seja superior a 1/3 dos casos diagnosticados

Um dia! Uma cor! E muitos tabus e preconceitos! No próximo 26 de março será celebrado o Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia, conhecido mundialmente como “Dia Roxo” (originalmente, Purple Day). Esta é uma data simbólica como maneira de chamar a atenção das pessoas para a importância da informação e da conscientização sobre a epilepsia, síndrome estigmatizada, com muitos tabus e preconceitos que rondam a vida de seus portadores.

O neurocirurgião Dr. Luiz Daniel Cetl, especialista em epilepsia e membro do Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), explica que o Dia Roxo é uma oportunidade para falar abertamente sobre a epilepsia, suas crises, características, interferências na vida do paciente, quebrar mitos e diminuir os preconceitos.

Muito comum no passado, e ainda persistente no presente, um dos tabus ainda não resolvidos é o de que o paciente com epilepsia não pode trabalhar e se destacar profissionalmente. “Vincent van Gogh, Fiódor Dostoiévski e Machado de Assis, por exemplo, eram portadores da síndrome e são considerados grandes gênios da artes e literatura, mostrando que a doença não deve impedir que seu portador leve uma vida social e profissional ativa”, ressalta o médico Luiz Daniel Cetl.

Entendendo a Epilepsia:
A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, provocando descargas elétricas dos neurônios, que podem ser focais (conhecidas como parciais) ou generalizadas (quando atingem todo o cérebro). As características das crises vão depender da origem das descargas elétricas no cérebro.

O neurocirurgião esclarece que cada crise pode ocasionar um sintoma ao paciente. Quando as crises são parciais simples, temos sintomas apenas no quesito motor, visual ou de mal-estar, sem afetar a consciência. Entretanto, as parciais complexas, além de acometer o controle motor ou visual, ocasiona também alguma alteração na consciência, mas não sua total perda. Por último, existe ainda a crise generalizada que, além do acometimento do controle motor, também ocorre a perda da consciência.

Além delas, há outras manifestações da doença e que muita gente desconhece. “A parada comportamental é uma crise parcial complexa e muito mais frequente, em que o paciente fica parado, com o olho arregalado, como se estivesse fora de si. Outra manifestação é o estado de mal epiléptico, quando o paciente sofre várias convulsões seguidas, sem recuperação da consciência entre elas. Esta é a mais grave de todas, pois, se não tratada imediatamente, pode ocasionar lesões cerebrais graves”, explica o médico.

Facilmente identificada e popularmente conhecida, a crise convulsiva se destaca por sua manifestação generalizada, quando o indivíduo perde a consciência e cai no chão, apresentando contrações musculares em todo o corpo.

Diagnóstico e tratamentos
Segundo o neurocirurgião Luiz Daniel Cetl, o diagnóstico é realizado clinicamente (anamnese e exame físico) e por exames como eletroencefalograma (EEG) e neuroimagem. O paciente com epilepsia, para receber seu diagnóstico, pode procurar, inicialmente, um neurologista que, dependendo do caso, poderá encaminhá-lo para um neurocirurgião especialista em epilepsia.

“O tratamento base para o controle das crises e sintomas da epilepsia é medicamentoso. No entanto, nem todos casos recebem respostas positivas, o que pode sugerir a indicação da realização de um procedimento cirúrgico”, diz o neurocirurgião da UNIFESP.

Atualmente, são três os principais tipos de cirurgia:
Ressectiva: indicada para casos em que se sabe o foco cerebral das descargas que ocasionam uma crise da epilepsia e remove-se por completo a zona de início ictal (local do ataque súbito), visando o controle completo das crises convulsivas;
Desconectiva: quando a origem da descarga é de apenas um lado, consegue-se a separação entre os dois hemisférios, para que as descargas não passem de um lado para o outro;
Neuromodulação – estimulação do nervo vago: com implante cerebral de um estimulador ligado por um marca-passo localizado na região da clavícula, que envia impulsos elétricos ininterruptos através de um eletrodo posicionado no nervo vago. Estes sinais são replicados para o cérebro, interferindo na frequência das crises epiléticas.

Dia Roxo:
Atenta aos complexos e preconceitos, a idealizadora do Dia Roxo (“Purple Day”), celebrado todo 26 de março, Cassidy Megan, uma menina canadense de 9 anos, escolheu a cor roxa como símbolo inspirada na flor de lavanda, frequentemente associada à solidão, pois representa o isolamento que muitas pessoas epilépticas vivem, principalmente por terem vergonha da doença e de seu principal sintoma: a crise convulsiva epiléptica.

Por vergonha de suas crises e medo de não poder controlá-las, muitos portadores da epilepsia tendem a se isolar, o que interfere em todo o tratamento da doença que, além de incluir acompanhamento médico, precisa também da inclusão social.

Em diversos países as pessoas são convidadas a vestir alguma peça de roupa roxa, como símbolo de apoio à causa. “Além do apoio à iniciativa da garotinha canadense, uma maneira de reverter esse cenário é compartilhando informações e conceder todo apoio psicológico a essas pessoas. Vamos fazer com que o projeto da garotinha canadense se expanda cada vez mais, ao ponto de ajudar muitas pessoas com epilepsia”, finaliza Dr. Luiz Daniel Cetl.

Para mais dados sobre a epilepsia, confira o Infográfico Tudo Sobre Epilepsia

Fonte para entrevista:
Dr. Luiz Daniel Cetl é referência no tratamento das epilepsias e tumores cerebrais. Especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), membro do grupo de tumores do Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e integrante da Associação dos Neurocirurgiões do Estado de São Paulo (SONESP). Atua ainda como preceptor de cirurgia de tumores cerebrais no Departamento de Neurocirurgia da Unifesp.

Dr. Luiz Cetl na Web:
Site: http://www.drluizcetl.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/dr.luizcetl
Instagram: https://www.instagram.com/dr.luizcetl
Twitter: https://twitter.com/DrLuizCetl

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